Com avanço da terraplanagem, pavimentação emblemática em Doutor Ulysses chega a 22% 13/02/2026 - 15:40

Os serviços de terraplanagem, drenagem e implantação de galerias avançaram na PR-092 e as obras de pavimentação da rodovia que dá acesso a Doutor Ulysses, na Região Metropolitana de Curitiba, chegaram a 22% de execução, de acordo com a medição do mês de janeiro do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), autarquia da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seil).

O Governo do Estado está investindo R$ 56,9 milhões na pavimentação de um trecho de quase 12 quilômetros da rodovia, com o objetivo de tirar Doutor Ulysses do isolamento. A cidade, que fica na divisa com São Paulo, a cerca de 130 quilômetros de Curitiba e a 45 quilômetros de Cerro Azul, é a penúltima do Estado a não ter estradas de acesso pavimentadas.

Uma série de adequações estão sendo feitas no traçado da rodovia para a obra de pavimentação, como o alargamento da pista – que terá 3,5 metros de largura mais um acostamento de 1,5 metro em cada faixa –, redução de rampas e dos raios de algumas curvas.

As adequações são necessárias por causa do relevo da região do Vale do Ribeira, com terrenos montanhosos e sinuosos. Em uma das frentes de obras, no local chamado Serrinha, a altura da rodovia foi reduzida em mais de 20 metros, para diminuir a inclinação da subida.

Este primeiro trecho que será asfaltado fica entre o km 117,8 e o km 129,8. A obra será em pavimento semirrígido, que é feita em quatro camadas, garantindo a resistência e a durabilidade do asfalto: uma camada de reforço do subleito, camadas de base e sub-base em solo cimento, uma camada dupla de ligante asfáltico e uma última camada de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ) de revestimento.

O trecho ganhará também sinalização vertical e horizontal, abrigos para parada de ônibus, plantio de vegetação, defensas metálicas nos pontos mais sinuosos da pista, dispositivos de drenagem como sarjetas, bueiros, descidas d’água e galeria celular para escoar a água das frequentes chuvas que atingem a região.

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Foto: Roberto Dziura Jr./AEN

 

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Foto: Roberto Dziura Jr./AEN

 

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Foto: Roberto Dziura Jr./AEN


FIM DO PÓ E DO ISOLAMENTO – A comerciante Lenir do Carmo de Andrade mora bem no início das obras, na localidade de Sabino, a 12 quilômetros da sede de Doutor Ulysses. Ela comemora a vinda do asfalto, já que a poeira e a lama atrapalham diariamente a rotina da família. “Passaram anos dizendo que iriam asfaltar a rodovia, mas a gente não acreditava. Agora a gente vê que está saindo”, diz.

“Quando o tempo está seco, tem que deixar a casa toda fechada, porque a poeira se espalha por tudo, não tem condições. E quando está barro fica ruim por causa do transporte, não tem como chegar nem como sair”, conta. “Algumas coisas a gente faz na cidade, quando precisa de uma consulta vai para a Cerro Azul ou Curitiba, é tudo mais difícil. Um tempo atrás nem ônibus passava quando chovia, encalhava sempre. Agora já está ficando melhor”.

O comerciante Juslan Erick Morais Martins, de 31 anos, nasceu em Cerro Azul, mas mora desde os 7 anos em Doutor Ulysses. Ele fala das dificuldades que o isolamento causa à cidade. “O acesso é muito ruim para a saúde, o transporte, para viajar. Atrapalha até nas coisas básicas, como para tirar a carteira de motorista, que não tem como fazer na cidade. A parte da saúde também, o pessoal demora muito tempo para se deslocar. Demora mais ou menos 1h20 para ir até Cerro Azul, o que é muito tempo para uma distância de 45 quilômetros”, conta.

“Para nós, do comércio, a logística de entrega também é bem complicada. Fica mais barato ir com nosso carro para comprar mercadorias do que comprar diretamente dos fornecedores, que deveria ser mais barato”, diz. “Foi mais viável pôr um carro nosso para fazer essas compras do que aproveitar os vendedores. As coisas que você compra pela Internet demoram umas duas ou três semanas para chegar, enquanto em outros lugares chega rapidinho”.

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